segunda-feira, 30 de julho de 2012

Mas o filtro solar...

Parte da insegurança que sinto em relação a imagem é devido ao grande medo de envelhecer. Nunca pensei em como seria minha vida aos 60 anos por exemplo. Acho uma pequena tortura... Mas pra quem achava que não iria passar dos 21 anos e chegou aos 25, também é preciso se cuidar. 

Na busca incessante pelo ser, ter e ter que aparecer, me preocupo cada vez manter-me sã. Depois de anos de treinamento árduo consegui uma disciplina irrefutável com uma rotina de beleza condizente com a minha realidade. Eu quero chegar bem lá. Eu quero viver bem.

Consumidora sem limites de maquiagens e produtos importados, de toda a minha lista de pertences e queridinhos, não existe nenhum produto que arrebate o posto que este tem. Se tivesse que escolher apenas 1 produto de beleza para usar pelo resto da vida seria com certeza o filtro solar. 
Sempre adorei sol, praia e pele bronzeada. Mas até que um dia eu percebi os efeitos do sol e disse que não seria mais uma vítima iguais as outras mulheres de peles bronzeadas, mas manchadas e enrugadas. Depois que elas chegam é difícil reverter isso.

Na minha louca rotina do dia a dia, o filtro solar é meu melhor amigo, compartilhando de todos os momentos ao meu lado, mesmo nos dias nublados e chuvosos. Para os dias de frisson sugiro um bronzeado "Acabei de chegar de Ibiza", disponível em 6 cores e na versão compacta. Sem a possibilidade de rugas indesejáveis ao longo dos anos. Afinal de contas, quero estar bem para me aposentar na Côte d'Azur...

A inspiração para manter-se jovem e saudável:


Bisous,

Lari

sábado, 28 de julho de 2012

Sereníssima

Foi assim que comecei a despertar meu interesse por outras formas de viver. Queria muito poder estar mais calma, mais relaxada e ser mais sensata e ponderada com as minhas decisões.

Eu não sei bem como aconteceu, mas de repente, aquela alternativa surgiu, de uma forma bem descontraída e despojada. Me senti atraída pela proposta e resolvi tentar. O título de convocação era um tanto intimidador: Mude o seu “destino” para melhor. De qualquer forma, tirando o medo inicial, o tema me chamou atenção. Será que poderíamos mesmo mudar o nosso “destino” para melhor? De alguma forma nossa vida está conectada a uma missão espiritual maior, algo superior mais elevado, capaz de tomar as rédeas da nossa vida?

As respostas dessas perguntas continuam (no momento) pairando no ar. Talvez seja melhor assim e continuar apenas seguindo em frente no passo-a-passo. A questão é que o livre arbítrio deixou uma arma poderosa e letal em nossas mãos; as possibilidades de escolha. Uma grande chance de conseguir acabar com as delícias do acaso e saturar-nos com tantas atribuições.

Os argumentos usados neste ponto de meditação foram que para cada ação existe uma reação, para cada ação que desempenhamos também temos as consequências e infelicidades daquela escolha. As dores e delícias da nossa própria liberdade.

Depois de um argumento potente, uma longa meditação e um mantra de amor ecoando no ar, finalmente algo voltou a fazer sentido. E então, lentamente, deixei a tempestade passar...


Bisous,

L.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Positivismo Romântico de Bovary

"(Bovary, no divã, soluçando)
NEARLY: Emma, se quer que eu a ajude, terá de explicar o que há de errado.
(Sem levantar a cabeça, Madame Bovary assoa o nariz num lencinho bordado.)
NEARLY: Chorar é uma experiência positiva, mas acho que não devíamos passar os próximos cinquenta minutos nisso.
BOVARY: (falando por entre lágrimas) Ele não escreveu, ele não... escreveu.
NEARLY: Quem não escreveu, Emma?
BOVARY: Rodolphe. Ele não escreveu, ele não escreveu. Ele não me ama. Sou uma mulher arruinada, patética, miserável, infantil.
NEARLY: Emma, não fale assim. Eu já lhe disse,você precisa aprender a se amar.
BOVARY: Por que se comprometer a amar alguém é tão estúpido?
NEARLY: Porque você é uma pessoa linda. E é porque você não vê isto que é viciada em homens que infligem dor emocional.
BOVARY: Mas foi tão bom na época.
NEARLY: O que foi?
BOVARY: Estar lá, com ele ao meu lado, fazendo amor comigo, sentindo sua pele junto da minha, passeando pela floresta. Eu me sentia tão real, tão viva, e agora minha vida está em ruínas.
NEARLY: Talvez você se sentisse viva, mas só porque você sabia que não podia durar, esse homem não amava você de verdade. Você odeia seu marido porque ele escuta tudo o que você diz, mas não consegue parar de se apaixonar pelo tipo de homem que demora duas semanas para responder uma carta. Francamente, Emma, sua visão do amor trai evidência de compulsão e masoquismo.
BOVARY: É mesmo? E daí? Não me importo se é uma doença, tudo o que eu quero é beijá-lo de novo, senti-lo me abraçar, aspirar o perfume da sua pele.
NEARLY: Você tem de começar a fazer um esforço para olhar dentro de si, passar por sua infância, então talvez você aprenda que não merece toda essa dor. É somente porque você cresceu numa família disfuncional, na qual suas necessidades emocionais não foram preenchidas, que você está presa a esse padrão.
BOVARY: Meu pai era um fazendeiro simples.
NEARLY: Talvez, mas também não era confiável emocionalmente, de modo que você agora reage a uma necessidade não preenchida, apaixonando-se por um homem que não pode lhe dar o que você realmente quer.
BOVARY: O problema é Charles, não Rodolphe.
NEARLY: Bem, minha cara, vamos ter de continuar na semana que vem. Sua sessão está chegando ao fim.
BOVARY: Ah, Dra. Nearly, eu queria ter dito antes, mas não vou poder lhe pagar essa semana.
NEARLY: Esta é a terceira vez que você me diz esse tipo de coisa.
BOVARY: Me desculpe, mas dinheiro é um problema muito grande no momento, estou muito infeliz, quando dou pra mim gasto tudo em compras. Hoje mesmo eu saí e comprei três vestidos novos, um dedal pintado e um aparelho de chá de porcelana."

* Trecho de "Ensaios de Amor" de Alain de Botton.

Emma Bovary, uma apaixonada incurável

É difícil ver um final feliz para a terapia de Bovary, não é mesmo?! Pois foi dessa mesma forma que me senti durante várias noites sentada no divã do meu analista... A compulsão e o masoquismo misturado a uma descrente forma de amar. Poderia ter sido eu ali.

Mas depois de muito tempo, muitas sessões, muitos drinks e noites em claro, descobri que é possível brincar e divertir-se com as incompatibilidades do amor. Criando assim, uma mistura ótima de paixão com sabedoria, enfrentando a necessidade dos confrontamentos diários e esquecendo a idiotice dos dias comuns.  Essa lição comum demorou mais tempo do que o necessário para ser aprendida. Foi uma lição complexa aprendida a ferro e dor, com fogo e paixão. 

Esse vazio constante que falo com frequência é exatamente isso, apaixonar-me ou simplesmente querer um homem que sei que não será capaz de me dar o que realmente quero. E, assim, devagarinho, a minha frustração ia aumentando dia a dia... E eu sempre acabava pensando que um dia o amor poderia se tornar indolor para todos. Quase uma tragédia romântica. Virei uma incorrigível pessimista durante anos. Procurando uma cura inexistente para dores intratáveis. Uma vez, em momento de desespero, cheguei a fazer votos de ser uma entidade voltada ao ser, estudando as hemácias da sociedade, dedicando-me somente aos momentos de engrandecimento pessoal.

Essas lições e todo o glamour que elas carregaram quando eu escrevi sobre essas noites, se tornaram muito mais relevantes quando finalmente eu aceitei um convite para jantar na semana seguinte, e então comecei a pensar em andar de mãos dadas, fazer carinho no rosto e dar longos abraços apertados. E então vi que finalmente havia começado a me entregar novamente... 

Bisous,

L.

Obs: A terapia de Madame Bovary, mesmo no livro, é fictícia.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Em busca do borogodó perdido

Então,  juntando todas as peças do tabuleiro e os seus trajetos também, eis que chegamos mais uma vez a divina comédia romântica e rotineira.

Entre muitas taças de Bellini e algumas conversas subjetivas no ar, um bom ensaio de amor e uma noite virada em claro, tudo flui. Mas há de se manter o mistério, a envolvência e a santa benevolência de simplesmente resgatar o borogodó perdido. Era dia 12. 

Sim, perdeu-se pelo caminho. Mas tudo que é perdido pode(e deve) ser encontrado novamente. Mesmo que percorra-se o caminho novamente, nunca é tarde para caminhar certo? Certo! Com tanta prosa e poesia a vida romântica e amorosa poderia estar mais ativa e mais lúcida. Mas quem precisa de lucidez quando a taça ainda está cheia? Há de se dar os devidos créditos aos mistérios do acaso e as lamúrias dos mal amados. Porque, eles sim, me trouxeram até aqui. Porque se até Bette Davis com seu humor ácido conseguia se divertir com alguns drinks, eu também consigo...

Aquele plus que chamamos de toque ou sensualidade, atração ímpar que te faz pedir outro drink quando já é hora de partir e, claro o silêncio que corrompe a cada gole bebido alimentando cada vez mais a indizível atmosfera de sensualidade no ar. Um drink  no Astor. Arpoador, meu amor!

Quando o desejo, a sedução e o mistério se entrelaçam, aí eu te pergunto meu querido leitor, onde é mesmo que o borogodó se esconde? E que comecem os jogos! To be continued. 



"Freud encucava sobre onde as mulheres colocavam o desejo, o Joaquim quer saber apenas onde elas vão colocar o borogodó. Pois é. A palavra pode parecer antiga ao ser sussurada assim, no ouvido da gata, mas acreditamos que a moça da capa tenha. Aquele umbigo, aquele piercing – não serão estes alguns dos redemoinhos sensuais, onde o borogodó se esconde?" Em busca do borogodó perdido - Joaquim Ferreira dos Santos, 1969, Ed. Objetiva.

Borogodó - Sinônimos:  diferencial   bagunça   encrenca   inimizade ; atrativo pessoal irresistível. De O dicionário informal. A descrição também continha a foto do Javier Bardem...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Laura - Somebody that I used to know

E, de repente numa outra tarde chuvosa, a história se repete. Sussuros no escuro, beijos entusiasmados e abraços apertados. Uma deliciosa aventura carnal. Mas quase. Sempre há um jeito de filosofar.
Engraçado seria sair de lá com a consciência tranquila e peito aberto. Proveitoso seria admirar mais uma noite caliente e de puro prazer. Mas só pro meu bel prazer resolvi blasfemar.
Voltei sozinha pensativa. Chovia. Então isso era um grande consolo para ficar vagando um pouco pelas ruas enquanto acendia um último cigarro. A mente pairava em outro lugar. Quando deixou de ser divertido e começou a ser sério?

Houve uma época em que tudo era possível. As possibilidades eram mais fartas. Nunca me apaixonei por inteiro apesar das inúmeras oportunidades. Pensei que nunca acabaria. Mas como tudo tem um tempo e uma era nunca dura mais do que o necessário esse tempo se foi. E doeu. Doeu pensar que não poderia mais ter os devaneios de menina, que não poderia mais ter a inocência imaculada de um sorriso qualquer. Agora é tarde. Mas talvez não tarde ainda.

A única perspectiva que pensei até então foi em como mudei os meus próprios conceitos de sexo casual. Quando eu digo que os jogadores jogam o jogo é porque eles devem estar dispostos a jogar. Eu sempre estou, mas é sempre difícil sair de campo. Antes, algo tão trivial e comum, hoje, uma dificuldade imensa em dar aqueles primeiros passos. Porém engana-se quem acha que olho pra trás, não é mesmo o meu melhor ângulo e uma vez encerrado, determinado está.

Mas então, entre devaneios e emoções, grandes pensamentos e atitudes quaisquer, vou caminhando mais uma vez. Com o brilho sombrio de quem caminha no escuro e o pensamento firme de viver plenamente, lembrando dos dias em que a colheita era mais farta.

E agora eu me dei conta de que Laura nunca se foi. Ela está apenas adormecida e observando, esperando à espreita por uma grande chance de se revelar. Just like uma gata em teto de zinco quente...



Bisous!

L

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A essência suprema de Shiva

Um piscar de olhos. Um olhar de relance. Apenas um momento de distração. E, tudo cai por terra novamente. Tirando minhas forças, me assistindo cair, passo a passo. 

Por favor não me destrua dessa maneira. Irremediavelmente, tudo que você toca é destruído. A minha intuição continua intacta, talvez uma das poucas qualidades que ainda não foram destruídas por um lapso qualquer. Eu sabia que o dia terminaria assim.

Uma crise, ansiedade, temor e aflição. Sempre tento manter a calma e repetir pra mim mesma que ainda existe algum tipo de beleza no breakdown. Ainda provo pra mim mesma que isso tem sentido. E é somente isso que ainda me faz acordar todos os dias. Uma nobre esperança de aguardar por dias melhores, por saber que tudo uma hora vai passar. Mas então você acaba se viciando em certos tipos de dores. E, acaba sempre procurando no escuro e no vazio uma maneira de se confortar. Mas o conforto passageiro sempre acaba muito rápido, rápido demais. Viver anestesiada tem se tornado uma rotina. Por algum período eu tive a nobre certeza que os dias no limbo haviam acabado. Mas aparentemente eu ainda estava no purgatório esperando por uma consagração - que não veio. Chega uma certa hora que não dá mais pra sentir nada. 

A dor te corta profundo e deixa marcas e cicatrizes irremediáveis. Eu quero continuar acreditando na beleza do amor, não do amor carnal, mas da energia cósmica que sei que existe na atmosfera que me rodeia. Eu quero acreditar nisso. Eu não quero ficar mais vazia do que já estou. Se for assim eu não aguentaria. Mas então tudo vem me destruindo de uma forma tão injusta... Eu não tive direito a dignidade de lutar. Um tigre nunca sai de cena sem antes dar a sua vida por uma causa. 

O quão irônico seria estar numa cidade chamada Vitória num momento tão estarrecedor de tamanha solidão e tristeza? Pois acabei de lembrar que não existem ironias desse tipo. Não é tão duro ter sonhos destruídos, eles podem ser refeitos e devem ser a prova de que ainda existe algum tipo crença no futuro. Mas a destruição do seu passado e da sua história é mais mortal, aniquila qualquer chance de olhar para frente, deve-se virar para olhar pra trás todo o tempo. E eu não me permito mais viver assim. Ele não sabe o que roubou de mim. E, quem sabe, quiça algum dia, chegará o tempo que eu entenderei também. 

Eu posso não conseguir lutar agora, mas por isso entregarei algo muito superior que a minha vida, resgatarei minha alma das trevas. Que conste nos autos: Eu não desisti. 
"Estas três divindades eram, como seu próprio Pai, imaculadas. Brahma, o primogênito, teve por tarefa a criação de todo o universo; o segundo, Vishnu, dedicou-se á conservação e cuidado da obra de seu irmão; enquanto que o mais difícil de todos os trabalhos, coube a Shiva.Assim foi sempre, e o é ainda agora. Enquanto Brahma cria o cosmos, Vishnu o protege, e Shiva ensina ao coração de todas as coisas, o meio pelo qual atingir a divina meta. Shiva, deus da Misericórdia e do Amor, com infinita ternura, alerta os homens para não se extraviarem na busca daquela Essência Suprema."

                                                                   Shiva, o Destruidor

O melhor de mim.

Laura P.

domingo, 13 de maio de 2012

A cadência dos corpos nus

"Tenho andado distraída, impaciente e indecisa. Ainda estou confusa só que agora é diferente. Tô tão tranquila e tão contente. Quantas chances desperdicei, quando o que eu mais queria era provar pra tudo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém." Quase sem querer - Legião Urbana

Não é preciso achar explicação pra tudo o que sinto. Muitas vezes não sei verbalizar, não sei agir nem sei o que pensar. Muitas vezes o que eu vejo, quase ninguém vê. Na maioria das vezes inclusive, acabo sofrendo antes, durante e depois. Fujo das regras porque não posso dominá-las. Finjo que acredito quando quero discordar. E faço acreditar que vale a pena quando na verdade me acho superior. Tá tudo errado. Às vezes está escuro e ninguém te ouve. Chega a noite, solitária e, você sabe que agora sim pode chorar. 

Mas muito melhor é ser levada pela cadência do momento. Qualquer oportunidade me tire do conflito do ócio me deixa satisfeita.
Um toque, com os corpos encostando um no outro, com uma leve lentidão que me deixa hipnotizada por alguns momentos. Bebemos vinho. Vinho sempre me faz acreditar que sou outra. Me sinto sexy e voraz. A proposta era inusitada; uma cerveja e a conta. Mas então apareceu o vinho. Aliado e testemunha dos meus pecados mais escandalosos, dessa vez ele cumpriu o que sempre se propôs: fazer com que o simples paladar alheio pudesse desfrutar de pequenos prazeres da vida. 
E, entre taças e cigarros, música e atmosfera chuvosa, eis que a máxima de torna-me outra cumpre o seu papel. Desejo. De todos os meus pecados a luxúria sempre foi o meu favorito. 

Os lençóis desarrumados e a roupa espalhada pelo quarto não me deixam negar. Estou sendo eu de novo. Com todas as dores e delícias que o meu "eu" representa a mim mesma. Deixando de lado todo o ceticismo, posso afirmar que voltei para  jogo.

Acabo de passar uma noite maravilhosa. 

Isso meus caros, é uma descrição ínfima e sutil do que eu chamaria de "um grande happening na frente de todos os mal fodidos". 

Repito, acabei de passar uma noite maravilhosa. O resto é silêncio...

Bisous,

Lari

There's beauty in the breakdown. 

terça-feira, 8 de maio de 2012

A confissão dos crimes expiados

Milan Kundera - um homem pra chamar de meu

Singelo seria passar a segunda feira com a mente tranquila, sem ter que encarar a sessão de análise da semana como uma grande confissão religiosa. Sim, eu confesso. Quando deixa-se de viver bem diariamente, qualquer simplória oportunidade de extravasar é um grande acontecimento.
Grande também seria o adjetivo correto para ilustrar a lista dos meus crimes e pecados. Eu confesso, porque não há como negar. Eu achava que agora jogava um outro tipo de jogo. Mas não é verdade. Seria mentira afirmar isso e seria também nocivo tentar usar dessa tática para convencer a mim mesma. 

Já fazia algum tempo que eu afirmava ter perdido o meu toque. Não sei onde, não sei quando, nem sei porque... Simplesmente se foi, como o copo de vinho que antes transbordava e agora vive vazio. Já houveram temporadas melhores, as estações costumavam ser mais animadas. Nas páginas do meu diário ainda constam as grandes epopeias amorosas que aconteceram em dias mais fartos. Os torsos escondidos(e esquecidos) dentro do meu armário pessoal confirmam a veracidade das palavras. Lembrei de como enumerei-os de tal forma que lembrasse com precisa exatidão o dia em que o amor morreu.  

Eu me achava tão segura de mim e sempre brincava com o perigo, acrescentando números ao meu placar pessoal. Mas então eu me olhei no espelho. Vi que o céu já estava escuro e a pintura barata não escondia mais o meu semblante. Eu tinha até um discurso pronto para os questionamentos, toda a riqueza das minhas palavras, estava na alma contida neste trecho, que eu por muito tempo tomei como sendo eu exposta ali:

"Nada mais? Coisa alguma? Nada. Numa súbita iluminação, todo o seu passado aparece-lhe, não como uma aventura sublime, rica em acontecimentos dramáticos e únicos, mas como a parte minúscula de uma barafunda de acontecimentos confusos que atravessaram o planeta em tamanha velocidade que é impossível distinguir seus traços. Quando as coisas acontecem rápido demais, ninguém pode ter certeza de nada, de coisa nenhuma, nem de si mesmo..."   Milan Kundera 

Mas se as festas não são mais tão animadas e o álcool já não é tão farto, porque a lista de pecados aumenta? Antes tudo era vermelho, eu escrevia assim; "Era o sangue que anunciava o assassinato de uma paixão sem importância.". E, foi então que percebi que ainda poderia jogar com os jogadores ou ser uma má perdedora. Voltar a ter aquela parte de mim que usava todos os sentidos. Deixar fluir mesmo na noite em que tive certeza que não existe mais coerência alguma no deboche e, que o sexo casual está em extinção. Eu lembro como se fosse um tempo distante, a long long time ago. Vocês ainda acreditam no amor?

E, assim diante de uma grande lista de crimes cometidos, confesso todos os meus pecados(não são graves, minha vida é bege, sou pura e casta) e, despeço-me mais uma vez dessa que vos fala. 
Como quem diz que a vida é curta despedi-me sem olhar para trás. Esse não é o meu melhor ângulo.

As últimas páginas dessa lista perigosa foram escritas com Maria Betânia sussurando ao fundo, o inevitável maço de Hollywood e uma perigosa vontade voltar a jogar... Estouro de energia, minha mente enxameia com as mais loucas ideias!

Bisous,

Lari

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Uma ardente paciência

E então eu lembrei de alguns dias menos cinzentos e com letras mais cativantes. Lembrei de certas palavras que me fizeram refletir e dos atos e relatos que me deixaram sem palavras. É difícil saber parar quando existe uma mistura de dor com prazer. Alguns cigarros apagados pelo caminho, taças de vinho vazias e um olhar triste de quem já experimentou as dores e delícias de ser a si mesmo. 

E, em um grande processo de averiguação sentimental, um desespero pela descoberta da essência do ser, desvendo minhas malícias; me olho minuciosamente no espelho, todas as manhãs. Pela busca insensata de respostas no silêncio. Brados dourados rompem o ar quando penso em palavras. Assim como um jazz bem ensaiado, sigo em frente. Muitas vezes com um vazio no lugar de prosa e poesia, mas sempre de peito aberto. 
Pois a vida está do jeito que ela sempre deveria estar. Ela continua... Com profundos duetos de amor de Puccini, boleros de Agustín Lara, tangos de Carlos Gardel e a bossa nova de Jobim. E, é claro com toda a profundidade de cada palavra de Buarque. Porque ele sempre me acalenta. Junto a algum nobre álcool forte.

Do mesmo jeito que escrevo essas palavras, ainda assim não posso negar um dos meus mais absolutos pecados; ser uma mulher in a Man's Man's world. 

Paixão, inconstância e sorte. Esta é a legenda do tigre. Muito prazer. 

"Virei outra. Tratei de reler os clássicos que me mandaram ler na adolescência, e não agüentei. Mergulhei nas letras românticas que tanto repudiei quando minha mãe quis me forçar a ler e gostar, e através delas tomei consciência de que a força invencível que impulsionou o mundo não foram os amores felizes e sim os contrariados. Quando meus gostos musicais entraram em crise me descobri atrasada e velha, e abri meu coração às delícias do acaso." Gabriel García Márquez

Bisous,

Lari.