Milan Kundera - um homem pra chamar de meu
Singelo seria passar a segunda feira com a mente tranquila, sem ter que encarar a sessão de análise da semana como uma grande confissão religiosa. Sim, eu confesso. Quando deixa-se de viver bem diariamente, qualquer simplória oportunidade de extravasar é um grande acontecimento.
Grande também seria o adjetivo correto para ilustrar a lista dos meus crimes e pecados. Eu confesso, porque não há como negar. Eu achava que agora jogava um outro tipo de jogo. Mas não é verdade. Seria mentira afirmar isso e seria também nocivo tentar usar dessa tática para convencer a mim mesma.
Já fazia algum tempo que eu afirmava ter perdido o meu toque. Não sei onde, não sei quando, nem sei porque... Simplesmente se foi, como o copo de vinho que antes transbordava e agora vive vazio. Já houveram temporadas melhores, as estações costumavam ser mais animadas. Nas páginas do meu diário ainda constam as grandes epopeias amorosas que aconteceram em dias mais fartos. Os torsos escondidos(e esquecidos) dentro do meu armário pessoal confirmam a veracidade das palavras. Lembrei de como enumerei-os de tal forma que lembrasse com precisa exatidão o dia em que o amor morreu.
Eu me achava tão segura de mim e sempre brincava com o perigo, acrescentando números ao meu placar pessoal. Mas então eu me olhei no espelho. Vi que o céu já estava escuro e a pintura barata não escondia mais o meu semblante. Eu tinha até um discurso pronto para os questionamentos, toda a riqueza das minhas palavras, estava na alma contida neste trecho, que eu por muito tempo tomei como sendo eu exposta ali:
Mas se as festas não são mais tão animadas e o álcool já não é tão farto, porque a lista de pecados aumenta? Antes tudo era vermelho, eu escrevia assim; "Era o sangue que anunciava o assassinato de uma paixão sem importância.". E, foi então que percebi que ainda poderia jogar com os jogadores ou ser uma má perdedora. Voltar a ter aquela parte de mim que usava todos os sentidos. Deixar fluir mesmo na noite em que tive certeza que não existe mais coerência alguma no deboche e, que o sexo casual está em extinção. Eu lembro como se fosse um tempo distante, a long long time ago. Vocês ainda acreditam no amor?
E, assim diante de uma grande lista de crimes cometidos, confesso todos os meus pecados(não são graves, minha vida é bege, sou pura e casta) e, despeço-me mais uma vez dessa que vos fala.
Como quem diz que a vida é curta despedi-me sem olhar para trás. Esse não é o meu melhor ângulo.
As últimas páginas dessa lista perigosa foram escritas com Maria Betânia sussurando ao fundo, o inevitável maço de Hollywood e uma perigosa vontade voltar a jogar... Estouro de energia, minha mente enxameia com as mais loucas ideias!
Bisous,
Lari

Nenhum comentário:
Postar um comentário