E então eu lembrei de alguns dias menos cinzentos e com letras mais cativantes. Lembrei de certas palavras que me fizeram refletir e dos atos e relatos que me deixaram sem palavras. É difícil saber parar quando existe uma mistura de dor com prazer. Alguns cigarros apagados pelo caminho, taças de vinho vazias e um olhar triste de quem já experimentou as dores e delícias de ser a si mesmo.
E, em um grande processo de averiguação sentimental, um desespero pela descoberta da essência do ser, desvendo minhas malícias; me olho minuciosamente no espelho, todas as manhãs. Pela busca insensata de respostas no silêncio. Brados dourados rompem o ar quando penso em palavras. Assim como um jazz bem ensaiado, sigo em frente. Muitas vezes com um vazio no lugar de prosa e poesia, mas sempre de peito aberto.
Pois a vida está do jeito que ela sempre deveria estar. Ela continua... Com profundos duetos de amor de Puccini, boleros de Agustín Lara, tangos de Carlos Gardel e a bossa nova de Jobim. E, é claro com toda a profundidade de cada palavra de Buarque. Porque ele sempre me acalenta. Junto a algum nobre álcool forte.
Do mesmo jeito que escrevo essas palavras, ainda assim não posso negar um dos meus mais absolutos pecados; ser uma mulher in a Man's Man's world.
Paixão, inconstância e sorte. Esta é a legenda do tigre. Muito prazer.
"Virei outra. Tratei de reler os clássicos que me mandaram ler na adolescência, e não agüentei. Mergulhei nas letras românticas que tanto repudiei quando minha mãe quis me forçar a ler e gostar, e através delas tomei consciência de que a força invencível que impulsionou o mundo não foram os amores felizes e sim os contrariados. Quando meus gostos musicais entraram em crise me descobri atrasada e velha, e abri meu coração às delícias do acaso." Gabriel García Márquez
Bisous,
Lari.
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